no submundo da água-pé
A horta abre amanhã para juntar amigos e celebrar o São Martinho à volta das enxadas.
Por essa razão, esta semana tratei de ir comprar o elemento fundamental para o sucesso de tal evento: água-pé. Não é um processo fácil, aviso já. Hoje em dia a água-pé é um produto que é vendido por baixo da mesa, tratado como contrabando, e para o qual é preciso conhecer quem conheça quem a produza. Não é droga, mas quase parece e esta semana tive de ir à esquina do “traficante” local de água-pé.
(sussurrando)
– Arranjas-me um garrafão para o fim-de-semana?
(momento de silêncio inconveniente)
– Sim. Passa cá no sábado.
(olhei por cima do ombro)
– Ok!
Hoje voltei ao local do crime.
– Tens aquilo?
(tento dar um ar cool com um piscar de olho)
– Está lá atrás. Vou buscar.
E a transação processou-se sem necessidade sequer de dizer “água-pé”. Paguei, trouxe o garrafão e amanhã teremos São Martinho.
Enquanto me afastava ainda deu para ouvir:
– Levas aí uma boa pomada!
