Magusto na Horta – quando os amigos se juntam para cavar

Reza a lenda que quando São Martinho cortou o seu manto ao meio para aquecer dois pedintes a tremer de frio que encontrou no caminho, as nuvens se abriram para ele e o sol brilhou durante três dias. Por cá, o sol já brilha há bem mais do que três dias, mas neste São Martinho foram os amigos que nos aqueceram o corpo e a alma.

Com a nossa nova vida de hortelões e a criação do nosso blog e página Pexitos da Horta, muitos dos nossos amigos têm abraçado a nossa causa e perguntado como podem contribuir. Decidimos, por isso, – mas não só por isso, mas sim porque gostamos de estar rodeados de amigos, dos nossos amigos, e com eles partilhar as fases das nossas vidas – criar o “Magusto na Horta”. Assim, este domingo, ontem, enchemos a mesa de piquenique das Hortas Solidárias com castanhas cozidas em erva doce, batata doce assada e água-pé e convidámos uma série de amigos para se nos juntarem à preparação do resto do talhão e plantação de algumas plantas.

Não podia ter corrido melhor. Foram muitos, miúdos e graúdos, que foram aparecendo e ajudando como melhor sabiam. Enquanto uns limpavam o terreno de pedras e raízes, outros cavavam à procura de ervas daninhas, outros despejavam o balde, outros passavam o ancinho, outros plantavam e outros ainda que só observaram, entre castanhas, ou tiravam fotografias, graças a quem podemos fazer um maravilhoso retrato fotográfico.

Nem toda a gente é talhada para esta vida, nem eu ainda sei bem se sou talhada para isto quando sinto as mãos ásperas e passo o tempo a limpar a terra do meio das unhas, quando acordo no dia seguinte cheia de dores de pernas, glúteos e costas, quando sonho que me crescem escalrachos (infestantes, vulgo, ervas daninhas, tipo relva) pernas acima, no quarto, na cama. Mas, talhados ou não, o facto é que, neste domingo, o talhão ganhou muita vida e cor.

Cansados e sujos, seguimos para o muito merecido almoço, já fora do talhão. Foram poucos os que regressaram à terra depois da barriga cheia, já era difícil arrastar as pernas, mas ainda havia serviço para acabar e voluntariaram-se os mais resistentes para plantar os últimos espinafres e aquelas cenouras que, desconfiamos, não se vão dar ali. Talvez sim, dizia eu, talvez sim, que a natureza escreve por plantações tortas. É isso ou o optimismo que, depois de um dia destes, é o que mais nos enche o coração.



1 thought on “Magusto na Horta – quando os amigos se juntam para cavar”

  • Bem… Tanta coisa a dizer sobre este post e as fotos a acompanhar… Mónia, tu não só me pareces “talhada para essa vida” como a ver pelas fotos, és a que mais à vontade se sente e faz os outros sentir na terra! Dito isto, provavelmente foste tu quem escolheu as fotos e já agora, cuidado com esses aforismos… Não vais propriamente começar a tornar-te agricultora agora ou não imagino que vás andar a cavar na terra de sol a sol… :).

    Quanto às fotos, de facto parece-me teres sido tu a escolhê-las… Não se vê um fundo de costas, um rêgozito exposto, uma costura de cueca à mostra… Isso assim retira um certo realismo do que é andar a cavar e plantar na horta… 😀

    FInalmente, quando dizes que “Nem toda a gente é talhada para esta vida”, podias ter-te referido especificamente à pessoa que aí foi de calças brancas e sapatos rasos… Epá, quer-se dizer… Não sei muito bem que raio foi aí fazer, mas não foi nem arrancar ervas, nem estrumar a terra (a propósito, que estrume usaram?).

    Continuação e sucesso que espero vir ainda a comer uma sopinha fruto de todo esse trabalho!

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