Desmistificar os insectos

A nossa filha mais nova recebeu o Grande Livro dos Insectos pelos anos. A primeira reacção foi de repugnância. Uhh, que horror, insectos, que nojo! Mas com as crianças funciona muito à base da insistência. Recusam-se a comer salada? Não é por isso que devemos deixar de lhes pôr salada no prato. Mesmo que não a comam, devem habituar-se a vê-la no prato até que chega o dia em que pedem para fazermos rebuçados de alface! Com o livro dos insectos foi a mesma coisa. Fui insistindo que eu queria ler a história. Como elas sabem que a própria mãe é muito nojentinha com os insectos, acharam piada que eu quisesse ler o livro e começámos assim, aos poucos, a desfolhar as páginas com ilustrações (maravilhosas) de insectos que se podem encontrar na horta: formigas, caracóis, gafanhotos, grilos, bichos-pau, aranhas… O livro está muito bem conseguido e apela à participação das crianças colocando perguntas como, por exemplo: “Consegues encontrar… nesta página?”
Resultado? Já são elas que me pedem para ler o Grande Livro dos Insectos e já raramente fazem “uhh, que nojo!” Passou a ser normal e super interessante saber que o Louva-a-Deus fêmea, por vezes, come o macho, que os gafanhotos saltam 20 vezes o seu tamanho ou que as aranhas andam sempre com os seus ovos atrás, ao contrário dos outros insectos. Eu própria estou fascinada com este livro e tenho a certeza de que da próxima vez que encontrar um bicho-pau vou ficar a admirá-lo em vez de me afastar rapidamente…






