Sementeiras

Nem todo o trabalho da horta se faz na horta. Há coisas que se podem e, muitas vezes, se devem fazer fora da horta, idealmente numa estufa, mas também pode ser numa varanda ou no parapeito da janela. Estou a falar de fazer nascer novas plantas a partir de sementes em sementeiras. É claro que podemos sempre comprar as plântulas já prontas a plantar, mas nem sempre é possível encontrar as espécies que queremos já em plântula. Além disso, comprar uma parte do trabalho já feito, retira um terço do prazer de ver uma planta germinar, despontar e crescer até estar pronta para ser colhida.
No entanto, o processo de germinação não é fácil. Há sementes que germinam melhores do que outras e há uma série de factores exteriores que podem influenciar o sucesso da germinação, além de exigir uma grande dose de paciência e disponibilidade para ir humedecendo a sementeira diariamente.
Até agora, o nosso sucesso com a germinação era de 3 para 10. Ou seja, mais de metade das tentativas fracassava. O desânimo era grande, mas tentámos perceber no que estávamos a falhar e fomos insistindo. Nunca fomos bem-sucedidos com a salsa, por exemplo, já os tomates e as acelgas dão muito bem em semente. Desta vez, experimentámos com sementes de espinafre, coentros, rabanetes e umas sementes que os nossos amigos polacos nos deram, de uma espécie que está ali entre o nabo e a pastinaga (não consigo perceber o que é). Já é o segundo ano que tentamos germinar estas sementes, mas acho que o insucesso se deve a uma questão de diferenças de temperatura entre os países.
Como, desta vez, estamos a ser bem-sucedidos, decidi partilhar convosco umas dicas para fazerem uma sementeira simples, barata e ecológica em casa. Para saberem quais as dez plantas mais fáceis de germinar através de semente, aconselho-vos a ler este artigo. O rabanete está lá e posso confirmar que ao fim de sete dias estavam a germinar as primeiras sementes!

1 – Prepare o recipiente onde vai semear.
Pode adquirir tabuleiros com alvéolos como este aqui ao lado ou reutilizar material do dia-a-dia, como copos de iogurte, latas de conserva, caixas de ovos ou rolos de papel higiénico. Estes últimos são ideais, pois são feitos de papel sendo, por isso, biodegradáveis. Se usarem outro tipo de recipientes, devem lavá-los bem para a terra não ficar contaminada.
No meu caso, reutilizei caixas de ovos e rolos de papel higiénico. Cortei cada rolo em dois, pois a semente não precisa de muita profundidade para germinar, e dispu-los num tabuleiro de baixa altura.

2 – O substrato deve ser adequado à germinação, limpo e leve, como por exemplo, turfa, perlite ou vermiculite. Eu comprei um substrato próprio para germinação e enchi os rolos para a sementeira com este substrato.
3 – Aprendi que se podem colocar duas sementes por recipiente para permitir a seleção natural da semente mais forte. Cobri as sementes com o substrato, evitando que ficassem a uma profundidade superior a duas vezes o seu diâmetro (era aqui que eu falhava, pois eu enterrava demasiado as sementes, o que levava a que as espécies mais delicadas não conseguissem arrepiar caminho até à superfície…). Ou seja, a semente de coentro, por exemplo, ficará quase à superfície.

4 – Reguei com um pulverizador. O substrato deve ser mantido húmido, sem ficar encharcado, para que as sementes não apodreçam (aqui também falhava, ou regava demais ou de menos).
5 – Haja paciência. O período de germinação pode ir de 7 a 15 dias, não é de uma noite para a outra que vemos as nossas plantinhas brotar do solo. Mas a alegria é grande quando começamos a ver os primeiros pontinhos verdes.
E depois, como saber que está na altura de transplantá-la para a terra ou um vaso maior? Quando a plântula tiver duas a três folhas verdadeiras, nunca antes, senão perderá a força.
6 – A transplantação deve ser feita com o máximo cuidado para não danificar as raízes. Devemos usar os dedos ou um utensílio pontiagudo adequado para retirar a plântula do substrato e colocá-la no novo vaso (ou na terra), aconchegando o substrato à planta.
Boas sementeiras!
Bibliografia: “Mãos à horta”, de Maria Elvira Ferreira e Graça Barreiro, Agrobook
